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domingo, 6 de março de 2016

Quanto vale uma fotografia?

Uma das maiores fontes de stress e preocupação para o fotógrafo iniciante (ou mesmo alguns já mais experientes) é determinar quanto deve cobrar por seus trabalhos fotográficos. É bem verdade que, assim como em qualquer mercado de livre concorrência, o que vai determinar quão longe um fotógrafo pode ir na hora de “esticar” o preço é como anda a procura por suas fotos, ou seja, a demanda. Quanto maior ela for, mais o fotógrafo deve conseguir cobrar.

Porém, há alguns critérios que devem ser minimamente considerados na hora de formar o seu preço.

Os critérios objetivos são os mais fáceis de se determinar e, por isso mesmo, muitos fotógrafos acabam por incluir somente eles no cálculo. Alguns exemplos são: depreciação de equipamentos, aluguel de locações, seguros, deslocamento, hospedagem, alimentação, horas de trabalho, custos de pós-produção etc. O fotógrafo que inclui somente esse tipo de critério no seu preço está deixando de fora itens essenciais e que, provavelmente, garantem muito mais a qualidade e a satisfação final do cliente.

Esses são os critérios subjetivos, entre os quais podemos citar a experiência/reputação do fotógrafo, seu portfólio, a dificuldade de produção das fotos, a qualidade do atendimento, sua presteza, simpatia etc. É claro que nenhum desses itens é passível de ser medido de maneira clara, por isso a dificuldade em estipular um preço baseado neles. Mas observe que são esses o fatores que agregam maior valor ao resultado final do trabalho, então deixa-los de fora é um erro muito grande e faz com que o fotógrafo desvalorize o próprio trabalho.


Casal no Mercado das Borboletas / Belo Horizonte - por Rommel Bicas

Não é difícil encontrar na internet planilhas prontas para que o fotógrafo possa estimar o valor a ser cobrado pelos seus serviços. Essas planilhas costumam ser uma mão na roda, pois trazem de maneira bem organizada todos os critérios objetivos que devem ser incluídos e algumas ainda dão uma ajuda também com relação aos critérios subjetivos. Por isso, não há mais desculpas para desvalorizar o seu trabalho cobrando um valor inferior.



 Splash / por Rommel Bicas

Por falar nisso, um dos efeitos mais nocivos de o profissional não saber quanto cobrar é ele reduzir (às vezes exageradamente) o preço de seus serviços para atrair clientes. Essa é uma atitude bastante criticada no meio fotográfico e, infelizmente, muito comum. Frequentemente escutamos reclamações de colegas que contam casos de trabalhos que perderam para concorrentes que cobravam um terço ou menos do valor.

Porém, há um outro mercado, onde os critérios objetivos quase não contam e os subjetivos vem a tona como o principal (quando não o único) agregador de valor a uma foto: estamos falando do mercado de fotos autorais, ou seja, sem fins comerciais. Pode parecer estranho que uma foto que não foi feita para fins comerciais tenha de fato um valor monetário, mas há de se entender que nesse caso estamos tratando de obras de arte e aí as leis do mercado tangem muito mais ao estilo, a linguagem, a técnica aplicada etc, como é comum nas outras áreas da arte.

No final de 2014, o posto de fotografia mais cara da história, que antes pertencia à obra Rhein II, do fotógrafo alemão Andreas Gursky, foi ocupado pela fotografia denominada Phantom, do australiano Peter Lik. A foto de Gursky, arrematada em leilão por US$ 4,3 milhões, cedeu lugar à de Lik, vendida por nada menos que US$ 6,5 milhões. Você pode estar se perguntando o que há nessas obras que as fazem valer tanto. Nós também. :)

























Rhein II / Andreas Gursky
Valor: US$ 4,3 milhões





















Phantom / Peter Lik
Valor: US$ 6,5 milhões

Mas é inegável que fatores como a preocupação estética, a utilização de linhas harmônicas, técnica fotográfica, cores bem equilibradas (ou apenas tons de cinza bem explorados, como no caso de Phantom) se somam para produzir uma obra que venha a ser reconhecida como extremamente valiosa. No caso da fotografia, outro fator importante é a captura de um momento sublime. Por ser uma obra normalmente produzida em uma fração de segundo, o registro de um momento marcante torna o resultado ainda mais interessante e monetariamente valioso. Estética, linhas, técnica, captura do momento... Consegue identificar as características acima na obra de Lik ou na de Gursky?

Além disso, a reputação do fotógrafo também conta muito. Obras de fotógrafos que já tenham obtido reconhecimento no passado tendem a ser mais bem avaliadas quando não há muita digressão do que já foi produzido por ele. Um exemplo disso é o caso de Gursky, que tem, entre as 10 fotografias mais caras da história, 4 obras suas. Há de se pensar quanto o nome dele pesou para que suas obras fossem extremamente bem avaliadas depois do primeiro sucesso.

Seja no mercado comercial ou no autoral, o valor de uma foto (ou um trabalho fotográfico) não é algo fácil de ser calculado, por isso, o conselho que deixamos é o de cuidar bem do seu equipamento, se aprimorar em termos de técnica e conhecimento e sempre, repito SEMPRE fotografar com amor ao seu motivo. Isso, sim, garante um valor inestimável ao seu trabalho e é facilmente percebido por todos.