Na atualidade pouco se usa câmeras analógicas. A não ser os fotógrafos que as conhecem profundamente por já as terem usado antes do advento das câmeras digitais e continuam apaixonados pela magia de suas das fotos, não são muitos os que se aventuram a usá-las.
O que encanta a esses fotógrafos, profissionais em sua maioria, e os mantem fiéis aos velhos rolos de filme com suas cores magníficas, grãos e textura maravilhosa, é a magia que os domina na expectativa dos resultados a serem obtidos após o tempo de revelação e impressão das cópias. Não é possível clicar e ver o resultado imediatamente. E se ocorreu um erro de exposição, de enquadramento, de velocidade? Qual será o resultado?
Alguns fotógrafos mais jovens, encantados com a tendência vintage, foram conquistados e integram mais uma leva de adeptos. Neófitos na fotografia analógica exibem com orgulho as suas câmeras como se fossem troféus conseguidos nos evos dos tempos. É a magia da fotografia analógica em ação.
Assim, o que se observa, quando se vê um fotógrafo com uma câmera analógica preparando-se para um clique, é todo um ritual e uma reverência ao processo que naquele momento se inicia. Preparar o clique não é só mais um processo técnico, quase científico. É um momento de magia, onde cria-se o futuro.
A questão do custo da revelação, da espera para ver a foto, não importam. A pressa por obter resultados não existe aqui.
No momento da história em que só existiam câmeras analógicas, o fotógrafo, mais do que nunca, precisava dominar totalmente a técnica pois sua habilidade estava sempre à prova, visto que os equipamentos ainda eram bastante pouco evoluídos gerando resultados incertos, às vezes. A evolução da tecnologia dessas câmeras foi lenta, e muito recursos hoje considerados triviais, não estavam presentes nas marcas e modelos mais famosos.
Os novos conceitos e a incorporação dos desenvolvimentos tecnológicos ocorreu gradualmente.
E, por essa razão, a câmera Nikon F é tão emblemática.
Introduzida em abril de 1959, ela foi a primeira câmera SLR da Nikon, e do mundo, nos moldes que conhecemos hoje. Foi uma das câmeras mais avançadas de sua época. Embora muitos dos conceitos já tivessem sido introduzidos em outras câmeras, ela foi revolucionária por ter sido a primeira a tê-los combiná-dos todos em uma câmera.
A Nikon F foi um enorme sucesso e mostrou a superioridade dos fabricantes de câmeras japoneses. Ele foi o primeiro sistema SLR a ser adotado e usado a sério pelos fotógrafos profissionais, especialmente por aqueles que cobriram a guerra do Vietnã, e os que cobriram os vários lançamentos das cápsulas espaciais nos programas espaciais Mercury, Gemini e Apollo, todos na década de 1960.
Uma combinação de elementos de design fez da Nikon F um sucesso:
● Prismas intercambiáveis e telas de focagem;
● Botão de previsão de profundidade de campo;
● Trava de espelho;
● F-mount, sistema de montagem de lente em baioneta introduzido em 1959, que ainda é usado até hoje;
● Botão grande de liberação de lente, para facilitar as trocas;
● Alavanca de avanço fácil de filme, com acionamento por um único movimento;
● Obturador feito de folhas de titânio;
● Vários tipos de sincronização de flash;
● Parte superior intercambiável ;
● Visor que mostrava 100% da imagem;
● Alavanca de retrocesso rápido;
● Muito bem construída, durável, e confiável.
Diferentemente da maioria dos sistemas de câmera de 35mm, a Nikon F tinha uma ampla gama de lentes de alta qualidade, cobrindo distâncias focais de 21 mm a 1000 mm em 1962. A Nikon disponibilizou, também, durante a sua vida, muitos tipos de acessórios. Entre eles os magazines para filmes grandes, motor drive elétrico, visores, dispositivos científicos e de close-up, unidades de flash, controles remotos e até uma parte traseira para uso de filme Polaroid. Foram disponibilizados vários fotômetros, tanto incorporados à câmera como para uso separado.
Muitas das soluções introduzidas na sua concepção foram utilizadas em todas as câmeras DSLR da Nikon subsequentes.
O nome "F" na Nikon F foi selecionado da letra F em 'Reflex' porque o R era muito difícil de pronunciar pelos japoneses.
O obturador de plano focal tinha cortinas de folha de titânio e era testado para 100.000 cliques. Na época, outras SLRs usavam cortinas de pano, que, durante exposições na luz solar direta, podiam queimar o tecido do obturador.
Era capaz de disparar até 4 quadros por segundo com o espelho preso.
A Nikon F revolucionou o mercado fotográfico, roubando o mercado das fabricantes alemãs Leica e Zeiss. A F também tinha uma reputação de ser extremamente resistente a danos ou falhas mecânicas.
Em alguns mercados a câmera foi comercializada como "Nikkor F" devido a conflitos de marcas. Na Alemanha, por exemplo, a linha de câmeras Zeiss Ikon era muito conhecida e considerou o nome "Nikon" como muito semelhante ao seu e a Nikon foi forçada a evitar o uso de "Nikon" no país.
Ela foi produzida até outubro de 1973 quando foi substituída pela Nikon F2, após uma produção total de 862.600 corpos.
Na pesquisa que realizamos para obter as informações aqui apresentadas compilamos informações de muitas fontes. Nos chamaram atenção três observações sobre ela, que encontramos em um site:
- “Para qualquer produto redefinir uma indústria, tem que ser aquele produto.” (For any product to re-define an industry, it has to be quite a product.)
- “A Nikon F é, sem dúvida, a SLR mais significativa na história das 35mm.” (The Nikon F is arguably the most significant SLR in 35mm history.)
- “Uma das mais memoráveis propagandas da Nikon do final dos anos 60 era ‘Hoje, não há quase nenhuma outra escolha.’ Era verdade!” (One of the Most Memorable Nikon F ads of the late 60's was "Today, there is almost no other choice." It was True!)
Com essas três frases se resume o que foi o lançamento da Nikon F, e o que ela representou para a fotografia: uma mudança de paradigma com o uso profissional das SLRs, um enorme salto tecnológico e o marco de início do crescimento da fotografia para atingir o nível de evolução e qualidade que desfrutamos até hoje.





































