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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pequena mas poderosa: Fujifilm 60mm f/2.4 - uma macro de respeito!

Eu sempre digo nas aulas que ministro sobre o mundo das objetivas que as técnicas de fotografia macro são segregacionistas, por precisarem de equipamentos caros, pesados; além de requerer muita paciência em campo. 

Mas não é apenas para fotografar insetos e outros microorganismos que serve uma lente macro. Podemos utilizá-la também em fotografias mundanas, detalhes de animais e bebês, olhos, objetos, e outras pequenezas. A única diferença de uma lente macro para uma não-macro é o fato dela ter distância de foco menor, fazendo com que possamos aproximar melhor dos motivos fotografados.

Já testei todo tipo de macro: Canon FD 55mm f/2.8, Nikon 40mm f/2.8, Tamron 90mm f/2.8, Sigma 105mm f/2.8... todas muito boas, mas nada de excepcional. São lentes macro padrão, com abertura padrão e sempre com um inconveniente. Ou é grande demais, ou lenta demais, ou soft demais (quando não há muita nitidez), ou frágil demais, ou só faz f/2.8 no foco infinito, fechando a abertura em focos mais próximos. 

Então chegou em minhas mãos a pequena Fujifilm 60mm f/2.4 Macro.

Quem me acompanha sabe que ando defendendo ferrenhamente a Fuji. Mas não é pra menos, ela tem feito investimentos pesados em tecnologia para fotografia, ultrapassando as gigantes Nikon, Sony e Canon, e até mesmo a Leica. Como disse no post anterior, a Forbes considerou a Fuji como a Apple dos fabricantes de equipamentos fotográficos. E, como professor de fotografia e fotógrafo com 12 anos de experiência, posso dizer com segurança e autonomia: a Fuji está fazendo um estrago (no bom sentido) no mundo da fotografia. Seu carro chefe antigamente eram as películas de filmes fotográficos. E hoje, como pouquíssimos fotógrafos ainda usam filme, ela precisou se reinventar e criar uma forma diferente de se fotografar para atrair adeptos e se manter no mercado. Quer saber mais? Leia isto.

Voltando à 60mm.

Pra começar, o corpo da lente é quase todo feito de metal, ao contrário das objetivas de outras marcas, cujo acabamento costuma ser 100% produzido em plástico. Com isso, nota-se uma robustez diferenciada ao tocá-la, que nos passa a impressão de ser uma objetiva que, se bem cuidada, vai durar por toda uma eternidade, assim como as lentes antigas. Outro ponto positivo é o tamanho: o mesmo diâmetro de uma 50mm f/1.8, um pouco mais comprida.

O foco dela é muito preciso. Aliás, o foco mais preciso que já pude testar em uma macro. Antes de atualizar o firmware ele não era dos mais rápidos, e isso era o único defeito dela. Ele não era lento, estava na média das outras macros, mas era mais lento que as objetivas normais. Depois que atualizei o firmware (uma espécie de programa instalado dentro da lente, que pode ser baixado no próprio site da Fuji) o foco dela mudou completamente. 


Macro com close digital na 56mm

A maior singularidade dessa lente está mesmo em sua abertura: é f/2.4, em qualquer ponto de foco, ao contrário da última macro que tive contato, a Sigma 105mm, cuja abertura máxima nos focos próximos é f/3.8. São quase dois f/stops a mais, uma diferença e tanto quando estamos fotografando em baixa luminosidade. Daria pra economizar ISO de 6400 para 1600.

Tá certo que nesse caso a profundidade de campo se reduziria bastante também, mas em baixa luminosidade às vezes é melhor priorizar a luz e ter foco em uma área menor; que perder luz com uma profundidade de campo maior. Até porquê, a diferença da área em foco de uma abertura f/2.4 pra uma f/3.8 nem é significativa. Já a luz...

Vale dizer que a nitidez dessa lente é fenomenal. Algo fora do padrão das lentes macro comuns. Nas fotografias que fiz eu pude aproximar digitalmente ao máximo sem esticar pixel que e eu ainda tinha qualidade.


Macro com close digital num fio RCA

Para quem gosta de newborn ela é a lente perfeita! É comum fotógrafos de newborn utilizarem uma 50mm para fotografar o corpinho do bebê e uma macro pra detalhes. Só que a 60mm da Fuji é macro e tem corpo de 50mm, podendo ser usada pra ambos casos, dispensando trocas excessivas de lentes

Nas horas vagas a 60mm deixa de fazer macro e vira uma lente padrão. É uma lente feita para sensores APS-C, e por isso, faria o papel de uma 90mm em uma câmera de filme ou full frame. Por ser pequena e clara, é ótima para fazer retratos, street, paisagem e até alguns tipos de eventos. Uma 90mm f/2.4 para Nikon ou Canon seria enorme, pesada e de difícil deslocamento. Já a pequena Fujinon (nome da divisão da Fuji especializada em ótica) manda bem em qualquer situação, é clara, leve, robusta, esbelta; e relativamente barata (se comparada às outras), podendo ser encontrada por cerca de 650 dólares na B&H.

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Qualquer lente serve pra qualquer coisa!


Comumente escuto equívocos sobre a utilização das lentes no mundo da fotografia. É comum, por exemplo, ouvir fotógrafos dizendo coisas do tipo: “vou comprar uma 14mm apenas para fotografar paisagens”. Ou então: “porque você usa uma 85mm pra fazer street?”.

Bom, de fato algumas lentes facilitam o trabalho de alguns tipos de fotografia, mas não quer dizer que ela foi feita só pra aquilo. Conheço grandes retratistas que usam lentes abertas para realizar seus retratos, como 21mm ou até olho de peixe, sendo que o mais comum em retratos são as lentes mais fechadas, como 60mm, 85mm e 135mm. E, ao mesmo tempo, não é incomum vermos fotógrafos que usam lentes fechadas para fazer street, contrariando a filosofia ‘cinquentinhista’ desse estilo. Ou mesmo lentes mais abertas para a fotografia de rua.


Street feito com uma 14mm f/2.8

O lance é que, basicamente, as lentes são capazes de aproximar motivos, afastar motivos ou manter os motivos na mesma distância que estamos vendo sem a câmera. Criou-se um padrão para as lentes como se cada uma delas fossem feitas pra determinado fim, o que não é verdade. É o fotógrafo que vai, aos poucos, sentindo cada uma das lentes disponíveis e se adaptando a elas, a fim de descobrir o que elas tem a oferecer ao seu olhar. O que não pode acontecer é o fotógrafo se fechar no convencional, naquilo que todos fazem. Se todo retratista usa 85mm e um determinado fotógrafo usa 24mm para fazer seu retratos, automaticamente o trabalho dele já vai ter um diferencial com relação aos demais.

Vale dizer que não é apenas a utilização mais ousada das lentes que vai fazer seu trabalho se destacar. Mas isso já é um começo para a sua trajetória ao encontro de um estilo próprio.

O mais importante nisso tudo é o fotógrafo experimentar muitas lentes, mas aos poucos ir fechando seu trabalho em apenas uma, duas ou, no máximo, três objetivas, conhecendo bem cada uma delas. Tal fato auxiliará o fotógrafo a desfrutar melhor seu equipamento e enquadrar com os olhos antes de empunhar a câmera, além de aliviar a carga em campo. 

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