sábado, 14 de novembro de 2015

Greg Girard - Um ideal de persistência na fotografia urbana

Sempre comento em minhas aulas de Fotojornalismo e Street Photography que um fotógrafo em campo deve atuar como um caçador. Deve rastrear, camuflar-se, ficar à espreita, mantendo sua(s) caça(s) sob constante vigilância e, o mais importante, ter paciência! Grandes fotógrafos, com técnicas apuradíssimas, não seriam capazes de realizar um trabalho documental pelo simples fato de não possuírem essa característica. Paciência e persistência são os elementos chaves para esse tipo de fotografia. Inclusive,"snapshot" foi massivamente usado para o disparo de fotos instantâneas, nas antigas Polaroids. Na língua inglesa o termo surgiu inicialmente para definir o ato de um caçador, afirmando ainda mais a relação que a fotografia tem com a prática da caça. 

E se tem algo que molda definitivamente o trabalho de um fotógrafo documental é a perseverança, pois, quanto maior e mais estreito contato com o motivo fotografado, melhor vai ser o conhecimento e olhar do fotógrafo acerca do assunto em questão.

Greg Girard é um grande fotógrafo documental que respeitou simetricamente a essência do seu trabalho. Canadense, fotografou exaustivamente sua cidade natal, Vancouver. Porém, passou boa parte de sua carreira na Ásia, sendo ela sua grande musa inspiradora. Seu trabalho analisa as transformações sociais e físicas que ocorrem em toda a região, em especial os locais menos abastados.

























Ponte Granville, Vancouver, 1975




Shanghai, 2002

Suas fotografias nos causam um misto de saudosismo e melancolia. A síntese do seu trabalho está fundamentada nos anos de 1972 a 1994, que foi quando realizou seus principais projetos fotográficos; e também pelo fato de ainda trabalhar com câmeras analógicas, fato que conferia um visual mais orgânico e despretensioso às suas fotografias, características ímpares da imagética documental. 

























Prédios na Avenida Railway, Vancouver, 1975

Girard é um exímio detalhista em suas composições. Seus enquadramentos precisos refletem a alma dos locais e situações retratados, nos transportando com facilidade à cena, estimulando uma imersão raramente vista nos trabalhos de outros fotógrafos.
























Vancouver, 1981. Geometria e composição acertada são características marcantes em suas fotografias.

Um de seus principais projetos fotográficos foi a Cidade Murada de Kowloon, em Hong Kong. Kowloon era uma região altamente povoada e degradada, que foi demolida em 1993, sendo considerada a maior favela vertical do mundo.
























Vista de uma das fachadas de Kowloon Walled City a noite, 1987

Originalmente uma fortaleza militar chinesa, Kowloon era uma aglomeração orgânica, que cresceu sem planejamento, sem projeto, tendo praticamente todas as características de uma favela comum, porém verticalizada. Em meados da década de 1950 Kowloon se tornou um centro de prostituição, tráfico de drogas, cassinos; tudo controlado por máfias chinesas conhecidas da época. Os acessos eram monitorados e os apartamentos do interior do imenso bloco de concreto não haviam janelas, sendo que as moradias externas, da fachada, eram as mais valorizadas do local. Sua densidade era tanta que não haviam ruas ou avenidas para automóveis, apenas estreitos corredores de circulação.

Tudo o que acontecia em Kowloon gerava rebuliço em toda Hong Kong. Um assassinato na cidade era algo comum, mas um assassinato em Kowloon era "O" assassinato. Como na época Hong Kong pertencia à Inglaterra, sendo uma espécie de colônia britânica, a China responsabilizava os ingleses pelas mazelas de Kowloon. E, do contrário, a Inglaterra dizia que Kowloon era responsabilidade dos chineses, pois, apesar de sua autonomia em Hong Kong, os britânicos autorizavam as autoridades chinesas a utilizar os recursos econômicos de Hong Kong como quisessem.
























Um apartamento típico de Kowloon, 1989

Em consequência da ausência de vigilância sanitária, decorrente da inexistência gestão da região, Kowloon se tornou uma Meca dos açougues clandestinos. Grandes fábricas de carne processada de Hong Kong migraram para Kowloon afim de fugir da fiscalização

Apesar de ter se tornado relativamente pacífica no início da década de 1980, a baixa qualidade de vida já estava se tornando algo intolerável para os padrões da época na crescente China do final do século XX. A partir de então, em 1987  iniciou-se um acordo entre a Inglaterra e o governo de Hong Kong para demolir definitivamente Kowloon e transformar a área em um imenso parque-memorial. A demolição começou no início de 1992 e durou quase dois anos, sendo concluída no final de 1993.


























Ruas úmidas de Kowloon, 1989























O agitado comércio de Kowloon, 1987






















Um açougue clandestino, 1990

A fascinação de Greg Girard pelo arranjo urbano das metrópoles asiáticas fez com que ele passasse 5 anos de sua vida morando em Hong Kong, estudando, documentando e fotografando a imensa Kowloon e a rotina de seus habitantes. Foi o maior trabalho fotográfico já feito sobre a região; e graças às suas habilidades fotojornalísticas, podemos hoje conhecer o âmago desse instigante monumento.

























Situando-se ao lado do Aeroporto de Hong Kong, os habitantes de Kowloon entretiam-se com a intensa circulação de aeronaves. 1990

Atualmente Greg Girard se dedica às edições e publicações de livros e exposições sobre seus projetos. Ele é representado pela galeria Monte Clark do Canadá e também trabalha para publicações como a revista National Geographic. Acesse seu site para conhecer um pouco mais sobre o trabalho deste grande fotógrafo documental.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pequena mas poderosa: Fujifilm 60mm f/2.4 - uma macro de respeito!

Eu sempre digo nas aulas que ministro sobre o mundo das objetivas que as técnicas de fotografia macro são segregacionistas, por precisarem de equipamentos caros, pesados; além de requerer muita paciência em campo. 

Mas não é apenas para fotografar insetos e outros microorganismos que serve uma lente macro. Podemos utilizá-la também em fotografias mundanas, detalhes de animais e bebês, olhos, objetos, e outras pequenezas. A única diferença de uma lente macro para uma não-macro é o fato dela ter distância de foco menor, fazendo com que possamos aproximar melhor dos motivos fotografados.

Já testei todo tipo de macro: Canon FD 55mm f/2.8, Nikon 40mm f/2.8, Tamron 90mm f/2.8, Sigma 105mm f/2.8... todas muito boas, mas nada de excepcional. São lentes macro padrão, com abertura padrão e sempre com um inconveniente. Ou é grande demais, ou lenta demais, ou soft demais (quando não há muita nitidez), ou frágil demais, ou só faz f/2.8 no foco infinito, fechando a abertura em focos mais próximos. 

Então chegou em minhas mãos a pequena Fujifilm 60mm f/2.4 Macro.

Quem me acompanha sabe que ando defendendo ferrenhamente a Fuji. Mas não é pra menos, ela tem feito investimentos pesados em tecnologia para fotografia, ultrapassando as gigantes Nikon, Sony e Canon, e até mesmo a Leica. Como disse no post anterior, a Forbes considerou a Fuji como a Apple dos fabricantes de equipamentos fotográficos. E, como professor de fotografia e fotógrafo com 12 anos de experiência, posso dizer com segurança e autonomia: a Fuji está fazendo um estrago (no bom sentido) no mundo da fotografia. Seu carro chefe antigamente eram as películas de filmes fotográficos. E hoje, como pouquíssimos fotógrafos ainda usam filme, ela precisou se reinventar e criar uma forma diferente de se fotografar para atrair adeptos e se manter no mercado. Quer saber mais? Leia isto.

Voltando à 60mm.

Pra começar, o corpo da lente é quase todo feito de metal, ao contrário das objetivas de outras marcas, cujo acabamento costuma ser 100% produzido em plástico. Com isso, nota-se uma robustez diferenciada ao tocá-la, que nos passa a impressão de ser uma objetiva que, se bem cuidada, vai durar por toda uma eternidade, assim como as lentes antigas. Outro ponto positivo é o tamanho: o mesmo diâmetro de uma 50mm f/1.8, um pouco mais comprida.

O foco dela é muito preciso. Aliás, o foco mais preciso que já pude testar em uma macro. Antes de atualizar o firmware ele não era dos mais rápidos, e isso era o único defeito dela. Ele não era lento, estava na média das outras macros, mas era mais lento que as objetivas normais. Depois que atualizei o firmware (uma espécie de programa instalado dentro da lente, que pode ser baixado no próprio site da Fuji) o foco dela mudou completamente. 


Macro com close digital na 56mm

A maior singularidade dessa lente está mesmo em sua abertura: é f/2.4, em qualquer ponto de foco, ao contrário da última macro que tive contato, a Sigma 105mm, cuja abertura máxima nos focos próximos é f/3.8. São quase dois f/stops a mais, uma diferença e tanto quando estamos fotografando em baixa luminosidade. Daria pra economizar ISO de 6400 para 1600.

Tá certo que nesse caso a profundidade de campo se reduziria bastante também, mas em baixa luminosidade às vezes é melhor priorizar a luz e ter foco em uma área menor; que perder luz com uma profundidade de campo maior. Até porquê, a diferença da área em foco de uma abertura f/2.4 pra uma f/3.8 nem é significativa. Já a luz...

Vale dizer que a nitidez dessa lente é fenomenal. Algo fora do padrão das lentes macro comuns. Nas fotografias que fiz eu pude aproximar digitalmente ao máximo sem esticar pixel que e eu ainda tinha qualidade.


Macro com close digital num fio RCA

Para quem gosta de newborn ela é a lente perfeita! É comum fotógrafos de newborn utilizarem uma 50mm para fotografar o corpinho do bebê e uma macro pra detalhes. Só que a 60mm da Fuji é macro e tem corpo de 50mm, podendo ser usada pra ambos casos, dispensando trocas excessivas de lentes

Nas horas vagas a 60mm deixa de fazer macro e vira uma lente padrão. É uma lente feita para sensores APS-C, e por isso, faria o papel de uma 90mm em uma câmera de filme ou full frame. Por ser pequena e clara, é ótima para fazer retratos, street, paisagem e até alguns tipos de eventos. Uma 90mm f/2.4 para Nikon ou Canon seria enorme, pesada e de difícil deslocamento. Já a pequena Fujinon (nome da divisão da Fuji especializada em ótica) manda bem em qualquer situação, é clara, leve, robusta, esbelta; e relativamente barata (se comparada às outras), podendo ser encontrada por cerca de 650 dólares na B&H.

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Qualquer lente serve pra qualquer coisa!


Comumente escuto equívocos sobre a utilização das lentes no mundo da fotografia. É comum, por exemplo, ouvir fotógrafos dizendo coisas do tipo: “vou comprar uma 14mm apenas para fotografar paisagens”. Ou então: “porque você usa uma 85mm pra fazer street?”.

Bom, de fato algumas lentes facilitam o trabalho de alguns tipos de fotografia, mas não quer dizer que ela foi feita só pra aquilo. Conheço grandes retratistas que usam lentes abertas para realizar seus retratos, como 21mm ou até olho de peixe, sendo que o mais comum em retratos são as lentes mais fechadas, como 60mm, 85mm e 135mm. E, ao mesmo tempo, não é incomum vermos fotógrafos que usam lentes fechadas para fazer street, contrariando a filosofia ‘cinquentinhista’ desse estilo. Ou mesmo lentes mais abertas para a fotografia de rua.


Street feito com uma 14mm f/2.8

O lance é que, basicamente, as lentes são capazes de aproximar motivos, afastar motivos ou manter os motivos na mesma distância que estamos vendo sem a câmera. Criou-se um padrão para as lentes como se cada uma delas fossem feitas pra determinado fim, o que não é verdade. É o fotógrafo que vai, aos poucos, sentindo cada uma das lentes disponíveis e se adaptando a elas, a fim de descobrir o que elas tem a oferecer ao seu olhar. O que não pode acontecer é o fotógrafo se fechar no convencional, naquilo que todos fazem. Se todo retratista usa 85mm e um determinado fotógrafo usa 24mm para fazer seu retratos, automaticamente o trabalho dele já vai ter um diferencial com relação aos demais.

Vale dizer que não é apenas a utilização mais ousada das lentes que vai fazer seu trabalho se destacar. Mas isso já é um começo para a sua trajetória ao encontro de um estilo próprio.

O mais importante nisso tudo é o fotógrafo experimentar muitas lentes, mas aos poucos ir fechando seu trabalho em apenas uma, duas ou, no máximo, três objetivas, conhecendo bem cada uma delas. Tal fato auxiliará o fotógrafo a desfrutar melhor seu equipamento e enquadrar com os olhos antes de empunhar a câmera, além de aliviar a carga em campo. 

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

XT-1 • O Futuro do Pretérito

As câmeras fotográficas são ferramentas que causam um certo fascínio entre os fotógrafos. Isso é um fato inegável. A Lígia sempre disse isso e eu não discordo. Não é como um pincel de um artista, cujo instrumento se reduz a um pouco de crina de cavalo espetada em um minúsculo pedaço de pau. A câmera fotográfica é mágica! Ela possui botões para serem apertados, rodinhas para serem rodadas, interruptores para serem acionados. Lá dentro rola toda uma mecânica barulhenta e instigante, acionada (nos dias de hoje) por motores eletrônicos. A câmera é complexa. Um instrumento de desejo. Um brinquedo para os adultos. Na verdade, é lente que é o grande ‘tchan’ do negócio, a principal responsável pela qualidade técnica de nossas fotografias... mas é a câmera que tira as noites de sono de um fotógrafo, em especial os iniciantes.

Só que a câmera mudou muito. Antigamente tínhamos em mão os únicos elementos que de fato precisávamos dentro das câmeras: o controle da velocidade do obturador, o ajuste do ISO do filme e a regulagem da abertura, que ficava em um anel ao redor da lente, juntamente com a regulagem do foco. E só. A parte técnica fundamental da fotografia se resume nisso: o controle da luz que entra na câmera e a prioridade da ferramenta utilizada.

Porém, com a introdução da eletrônica na fotografia (antes ela se resumia em mecânica e ótica), os fabricantes começaram a rechear as câmeras com tecnologias exageradas, botões pra todo lado, menus intermináveis, sub-menus confusos e gigantescos, fazendo com que a experiência de se fotografar ficasse cada vez menos intuitiva. As câmeras de hoje são verdadeiros computadores especializados em captar imagens. Além disso, o corpo da câmera cresceu e a empunhadura ficou anatômica, numa tentativa de aproximar as câmeras do contorno das mãos. Esse fato faz com que fique agradável segurar a câmera por muitas horas, mas também pudera, elas estão enormes! Tiraram de nós nossa tão necessária flexibilidade e nos transformaram em burros de carga. Honestamente, as câmeras de hoje parecem manetes de videogame. Não são práticas, não são transportáveis e são intimidadoras. O fato é que isso tudo fez com que a mentalidade do fotógrafo padrão mudasse muito. Antigamente o fotógrafo almejava lentes. Amava as lentes. A câmera era apenas um intermediário entre o olho do fotógrafo e sua objetiva, pois estava nas lentes a mágica toda, como disse acima. Hoje não... fotógrafo quer é mostrar seu equipamento cada vez maior. Acreditam que a fórmula sobrenatural para uma boa fotografia está na aquisição de uma 5D MarkIII. Ou de uma D810. Ou mesmo uma D4s. Câmeras grandes viraram símbolo de status, bem como as lentes fálicas e os flashes arranha-céus. Soma-se isso às intermináveis e enormes mochilas, bolsas, malas, filtros, pilhas, baterias, alças...

o fotógrafo padrão

A fotografia perdeu a complexidade do olhar e ganhou complexidade na ferramenta. Não estou dizendo que não são feitas boas fotos com essas pesos-pesados. Estou dizendo que o fotógrafo perdeu sua leveza e discrição, e a fotografia ficou complexa demais, com botões demais, recursos demais. A arte do olhar fotográfico está cada vez mais esquecida.

Numa tentativa de reduzir dimensões, criaram o sistema mirrorless, retirando os famosos e barulhentos espelhos das câmeras e aproximando a lente do sensor, fazendo com que o conjunto da obra ficasse menor e mais prático de ser carregado. Um grande avanço, de fato! O futuro da fotografia está nas mirrorless, que respondem de forma mais intuitiva na fotometria e no enquadramento. Mas os menus intermináveis ainda estavam ali, com tudo sendo resolvido nos dials... ah, essas rodinhas dependentes de menus enormes... aperta botão, roda dial, aperta botão, roda dial... entra no menu, aperta botão, roda dial. A verdade é que nunca haviam investido pesado das mirrorless a ponto de torna-las ferramentas de trabalho. Desde sempre elas possuem potencial para tal. Eram (e algumas continuam sendo) câmeras de bolso para os fotógrafos avançados que não queriam carregar tanto peso em passeios curtos.

Pois bem... essa é a história das tradicionais Nikon, Canon, Sony, Pentax, e umas outras menores aí.

Então entra em cena a Fujifilm. Antes de mais nada, vale dizer que a ‘Fuji’, como é chamada carinhosamente, é a maior multinacional do planeta do segmento das películas de filme para fotografia (analógica, obviamente) e para o cinema. Possui sede em Tóquio, 12 indústrias espalhadas pelo mundo, mais de 70 mil funcionários e é grande fabricante de câmaras fotográficas, impressoras, papéis fotográficos, equipamentos de laboratório fotográfico, películas de cinema e minilabs.

Dada a apresentação, vamos à inovação, cujo nome se resume a três signos: XT-1.

O sistema X da Fuji foi lançado há cinco anos atrás e equipa umas 6 câmeras da marca, tendo destaque para a XPro-1 e a X100, antecessoras da XT-1, que falarei logo adiante. Ele foi criado para resolver o  grande incomodo dos fotógrafos digitais no tocante ao ruído excessivo causado por ISO alto. Em uma câmera comum, não é um ruído agradável. Ele distorce as cores da imagem e tira completamente sua nitidez; do contrario do grão causado pelo ISO alto nas películas de filme, que eram suaves e agradáveis, ainda que presentes. A Fuji, sendo perita mestra na fabricação de filmes, criou o sensor X-Trans, que conta com uma distribuição de filtro de cores radicalmente diferente do sensor padrão, simulando facilmente o grão do filme na fotografia digital, mesmo com ISOs bem elevados. A X-Pro1, a primeira a receber esse sensor, era um espetáculo de câmera, mas limitada em tecnologias atuais e oferta de lentes.

É aí que entra a Fujifilm XT-1. Lançada no ano passado, a XT-1 é uma câmera avançada, possuindo praticamente todas as tecnologias atuais, como Wi-Fi, vídeo 1080 / 60p, LCD articulado, múltiplos pontos de foco... e de quebra, voltou com os tradicionais controles de exposição para o corpo da câmera. Não são mais menus e dials que controlam a exposição. Ela é controlada por grandes cilindros no topo do corpo da câmera, criando uma experiência incrível e intuitiva ao utilizá-la, como era nas tradicionais Nikon F, FM, Olympus OM-1, Canon AE1, dentre outras clássicas. Um controle específico para cada ferramenta faz com que fique mais fácil entendê-la.

Outras marcas já tentaram fazer algo parecido. A Nikon apresentou recentemente a Nikon DF, cujo corpo se assemelha às idolatradas Nikons da década de 60 e 70, como FM2, F3, FE. Mas ela pecou em deixar a tecnologia de lado, não possuindo modo vídeo, wi-fi, visor articulado, e outras bungingangas (necessárias) da atualidade. E o pior: pecou no controle de abertura, que fica na vertical, próximo à empunhadura. Nada prático.

Nikon F no centro

A Fuji criou uma filosofia diferente de abordar as câmeras fotográficas, aproximando o fotógrafo do ato fotográfico, dispensando a ostentação do tamanho e dos adereços.

o fotógrafo Fuji

E lembrando que a XT-1 é uma mirrorless. Ou seja, não possui aquele espelho grande, pesado e barulhento, que envia a informação de luz que passa pelas lentes para o viewfinder. Não estou sacrificando o sistema SLR, que foi muito útil nas câmeras analógicas, fazendo com que o fotógrafo tivesse uma experiência real ao enquadrar ou trocar de lentes. Mas hoje temos um sensor no lugar do filme, tirando a necessidade de um espelho para redirecionamento da luz ao viewfinder. O próprio sensor já pode fazer o papel de enviar a informação para um LCD posicionado dentro do viewfinder. É o futuro da fotografia! Dentro de alguns anos o sistema SLR estará definitivamente aposentado.

Fuji XT-1

Mirrorles já existem aos montes, há alguns anos, inclusive Full Frame. Mas a XT-1 não é apenas uma mirrorless. É a síntese da fotografia, unindo o melhor do mundo analógico ao melhor do mundo digital. Ela dispensou as convenções padrão de criação de câmeras e criou uma câmera para o fotógrafo, não para o consumidor. Por conta disso, a Forbes costuma dizer que a Fujifilm é a Apple do mundo fotográfico, pela sua capacidade de inovação e criação.

Vale dizer que ela possui uma qualidade de imagem impressionante. Faz ISO 6400 melhor que muita full frame.


Sem dúvidas um marco na História da Fotografia! 

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P.s.: Caso queira conhecer melhor a XT-1 ou adquirir uma, entre em contato com André de Paiva (9282-5014), o mais ágil vendedor de equipamentos fotográficos de BH.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Câmera Sigma DP1 Merrill - Um protótipo em linha de produção.


Testando câmera da Sigma (sim, a Sigma também produz câmeras, não apenas lentes), modelo DP1 Merrill, cujo sensor é o famoso e polêmico APS-C Foveon X3, que promete (segundo a Sigma) uma qualidade de imagem excepcional e nitidez acima da média.

Antes de mais nada, o sensor Foveon dispensa os filtros de cor ao empilhar três camadas de fotorreceptores, um pra cada componente do padrão RGB. Ou seja, ao invés de cada pixel possuir três leds de cor (azul, verde e vermelho), o Foveon possui três sensores, um específico pra cada canal de cor, porém empilhados. E por isso a Sigma insiste em dizer que a câmera DP1 possui 45 mega pixels. De fato, cada sensor possui 15 mp, somando 45 no total, mas se eles estão empilhados, absorvendo e unindo o feixe de luz de cada ponto, a câmera possui apenas 15 mp efetivos. Pude comprovar isso no tamanho final da foto.

Câmera Sigma DP1 Merrill

Independente dos megapixels, o que a Sigma se orgulha é da qualidade do negócio. Quando fiquei sabendo dessa tecnologia, em 2011, achei que era o fim das Nikons e Canons, pois foi um tremendo estardalhaço no mundo fotográfico. E hoje, 4 anos depois, pude brincar com uma câmera de sensor Faveon. E o que descobri? Bom, de fato a qualidade dela é bacana em ISO 100. Em ISO 100. Apesar de ser uma APS-C, usar ISO 800 nessa câmera é impraticável. Ruído como se estivéssemos em ISO 12.800 numa câmera comum. Hoje em dia uma D5500 ou uma D7200 chega fácil aos 12.800 com relativa qualidade, mesmo sendo APS-C.

Mas em ISO 100 a bichinha manda bem! Ela não possui filtro low-pass (filtro que reduz efeito moiré), fazendo com que a nitidez seja bem visível. Sua lente fixa 19mm f/2.8 (que seria uma 28mm numa full frame) não é um arraso em abertura, mas possui qualidade digna das Sigmas que já conhecemos.

Mas o fato é que eu esperava mais. Não vi diferença se comparado a uma APS-C atual com uma lente fixa. Especialmente as Nikons, que estão vindo todas sem filtro low-pass.

EXIF da foto:

Sigma DP1 Merrill
f/5.6
30"
ISO 100
DF 19mm (28mm em FF)
+ Tripé

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