segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O poder transformador do autorretrato

Antes do Facebook, os selfies eram chamados de autorretratos, e só eram exibidos vez ou outra, em situações eventuais, como em uma exposição de um renomado artista. Agora eles estão por toda parte: basta um acesso rápido em uma rede social no celular. Hoje todos os nossos amigos fazem selfie e o resultado disso é uma desvalorização do ato de se produzir um autorretrato. Se depender de você, de mim e de nossos inúmeros amigos, teremos um feed de notícias inteirinho de pessoas felizes e sexys apontando o que comeram naquele dia, o pôr-do-sol que vislumbrou, a nova manobra que executou em seus treinos ou como é bem-sucedido em seu trabalho.

O fato é que o selfie faz parte do mundo contemporâneo e ocupará as telinhas dos notebooks e celulares enquanto houverem as redes sociais. Mas engana-se quem pensa que a prática é revolucionária ou que possui o mesmo teor que o autorretrato do artista.

Tal atividade sempre esteve presente no universo das artes, em especial na pintura e na fotografia. Historiógrafos indicam Robert Cornelius (1809 - 1893) como pioneiro do autorretrato. Desde então, o movimento foi crescendo e foi sendo aderido por desconhecidos e celebridades em todos os cantos do mundo.


Primeiro autorretrato Robert Cornelius - 1839

Nadar (1820 - 1910) também merece ressalto neste artigo pois especula-se que foi o primeiro fotógrafo a extravasar e exprimir em suas fotografias traços significativos da sua personalidade, onde se esforça para se mostrar para a aristocracia parisiense como um fotógrafo bem-sucedido.



Autorretrato Felix Nadar - 1865

Já a fotógrafa Vivian Maier (1926 - 2009) exibiu em seus autorretratos sua biografia extraordinária de babá e fotógrafa, deixando fotos belíssimas das ruas de Chicago e Nova York. Em suas imagens, teoricamente singelas e despretensiosas, há um verdadeiro estudo sobre como usufruir da melhor forma possível todos os recursos disponíveis para a produção de registros com diferentes níveis de leitura.


Autorretrato Vivian Maier - 1954


Como podemos notar, o autorretrato sempre conduziu o artista em seu desejo de eternizar a própria existência. Na história da fotografia quase todos os fotógrafos já se registraram. Não só na história da fotografia, mas também na história da pintura. Rembrandt explorou massivamente a prática do autorretrato em suas pinturas.


Autorretrato de Rembrant  - 1660

O que muitos não percebem é que produzir autorretratos permite ao fotógrafo a prática de suas capacidades e habilidades, procurando a individualidade na linguagem pessoal, apresentando ao espectador o ser humano que há atrás da câmera fotográfica. Se no retrato comum há um afastamento entre fotógrafo e objeto, no autorretrato os dois se conectam e se transformam em um só, fato que permite ao fotógrafo o autoconhecimento.


Autorretrato Lígia Tôrres - A Arquitetura da Brasiliense - 2016

Ao longo da minha experiência como arte-educadora, presenciei casos de alunos que  transformaram as suas vidas após desenvolverem projetos fotográficos com autorretratos. Tendo como incômodo o períodos que se encontravam bloqueados ou com as emoções descontroladas, utilizaram o autorretrato como ferramenta para explorar e desbloquear tais sentimentos, externalizando essa carga emocional através da fotografia. 


Autorretrato Rebecca Francoff - 2015

Muitos aspirantes a fotógrafo utilizam o autorretrato como recurso para a autopromoção, abusando da sua figura carismática para seduzir o seu público cativo. Em muitos dos autorretratos que aprecio, me questiono: O que de fato faz essa fotografia ter inúmeras curtidas: a fotografia ou a popularidade do fotografado? 

Mas um autorretrato transformador não nasce ao acaso; ou através de uma receita de imagem pronta… ele passa longe da autopromoção. Um bom autorretrato é fruto de muito estudo e mergulho no próprio universo do artista. Antes de atingir a massa, o bom autorretrato deve metamorfosear o seu autor, o artista. Quando fixamos nosso olhar em nós mesmos, nosso coração bate mais forte. Quer sair de dentro de nós. Então, pegamos nossa câmera e pronto: congelamos aquele presente transformador. Aliás... a transformação é o grande poder da arte!



Autorretrato Lígia Tôrres - 2015
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A influência do artista Georgio de Chirico na obra de Cartier-Bresson

É inquestionável a relevância que a obra de Henri Cartier-Bresson tem para o desenvolvimento da fotografia. O fotógrafo francês deixou um extenso legado que vem influenciando gerações de fotógrafos no mundo inteiro, sobretudo os amantes da Fotografia de Rua e do Fotojornalismo.
Para compreender a riqueza de sua obra, é necessário ir além de uma despretensiosa apreciação de suas imagens populares. É imprescindível que se conheça as influências artísticas que inspiraram seu olhar e sua prática fotográfica. Neste artigo, examinaremos, em específico, a influência do pintor Giorgio de Chirico na obra de Cartier-Bresson. 
Embora Bresson não tenha sobressaído na pintura, sua paixão pela 3ª arte foi fundamental para a formação de seu olhar fotográfico. Em sua juventude, ele frequentou, durante dois anos, a escola de pintura de André Lhote, com quem aprendeu técnicas e princípios sobre composição artística, em especial a geometria.
Cartier-Bresson e De Chirico foram contemporâneos, mas não há registros que atestem uma relação de convivência e trocas constantes entre eles. No entanto, conforme relatos publicados, Cartier-Bresson revelou ser um grande admirador da obra de Giorgio de Chirico: “os quadros dele me impressionavam”. 

De Chirico é considerado um dos precursores do Surrealismo. Com uma linguagem profunda e carregada de símbolos, o pintor buscou desvendar a realidade humana. Para ele, a vivência humana é indissociável dos espaços urbanos. Suas telas buscam suscitar atmosferas de mistério e reflexão, através da colocação de objetos em perspectivas divergentes e do uso de luz e sombra.


GIORGIO DE CHIRICO. Mistério e Melancolia de uma rua, 1913

Um traço característico de De Chirico é a representação de figuras humanas por meio de silhuetas, que por vezes são mostradas sem rosto ou como sombras projetadas. A presença de formas geométricas, a representação das ruas por grandes espaços vazios, em um jogo de luz e sombra, são elementos marcantes em sua obra.  
Ao recorrermos ao acervo de imagens de Cartier-Bresson, pode-se identificar a presença de elementos característicos da pintura de Giorgio de Chirico, como essa foto abaixo registrada durante a sua segunda viagem ao México. 



CARTIER-BRESSON. Oaxaca, México, 1963

Dotada de uma composição complexa, a imagem transmite um tom de mistério, de inquietação. Os dois personagens presentes na foto são reduzidos a silhuetas e olham para direções opostas. Com um sentido geométrico bastante apurado, nota-se uma linha diagonal que divide a foto, formando um interessante jogo de luz e sombra. A presença de uma coluna no lado direito é também um elemento comumente encontrado nas telas de De Chirico. 
Na foto abaixo, é possível também identificar elementos característicos de De Chirico. Os enormes espaços vazios e a presença de sombras transmite silêncio e solidão. Não é possível ver o rosto da criança, que é captada de muito longe e em forma de silhueta. Predomina também o ar de mistério. 


CARTIER-BRESSON. Salerno, Italia, 1933

Em síntese, o grande interesse de Cartier-Bresson pela pintura, especialmente pela obra de Giorgio De Chirico, enriqueceu o olhar do fotógrafo e sua prática fotográfica.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Uma boa fotografia pode ser feita com qualquer equipamento!













Fotografia feita com um Windows Phone Lumia 930 - Itacaré - BA / por Sávio Muniz 
Afirmo com veemência que boa parte dos fotógrafos, principalmente os iniciantes, associam a boa fotografia a um equipamento robusto, tecnológico, caro, novo e principalmente famoso. Famoso? Sim. O pensamento é simples. Um cara, fez uma bela fotografia, com uma super câmera. Pronto. Resolvido. Compro o equipamento igual e vou fotografar. Sou um fotógrafo. Será? Calma! Precisamos conversar. Acha mesmo que se apenas o equipamento fizesse toda a diferença existiriam fotógrafos melhores que outros?  Se bastasse sacar a câmera e clicar, compraríamos um super equipamento e todos seríamos super fotógrafos.  Certo?  As coisas não são tão rápidas assim. Claro que todos podem vir a se tornar grandes fotógrafos, mas, para uma grande fotografia acontecer o fotógrafo deve dominar a técnica e seu olhar.  O mestre Cartier Bresson disse:
"Fotografar é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração".
Vamos analisar essa frase? O que ele quis dizer? "Fotografar é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz..." aqui ele fala de paciência, fala de imersão, concentração. Fala em momento decisivo. Tudo isso, essencial para um boa fotografia. Concorda? "... É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado..." Agora ele fala de composição. Rigorosamente! Fala da organização do seu motivo fotografado. Fala de textura, cor, luz, sombra, fala dos planos positivos e negativos, contrastes, fala de equilíbrio, fala de formas de perspectiva, escala e acredite, fala de muito mais. Tudo isso muitas vezes em um momento único e curtíssimo. "... É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração." É utilizar de  todo seu conhecimento, técnica, seu olhar e toda sua emoção. 





Fotografia feita com um Windows Phone Lumia 930 - Montes Claros - MG / por Sávio Muniz 
Definitivamente, fotografia não é somente um clique. E é exatamente isso que eu afirmo para você: uma boa fotografia pode ser feita com qualquer equipamento.  Claro que não estou aqui para dizer que os equipamentos de ponta não são importantes. Claro que são. Facilitam a vida do fotógrafo e devem ser utilizados. Devem sim! Não quero e nem vou estimular ninguém a pegar seu smartphone e sair para produzir um trabalho comercial, qualquer que seja. Os equipamentos chamados 'profissionais' tem papel fundamental por admitirem  situações  mais adversas, como por exemplo, locais mais escuros. Outro fator preponderante é a nitidez que é exigida em trabalhos comerciais, tais como casamentos, book, festas, etc., característica que muitas vezes as lentes de qualidade duvidosa dos celulares não entregam. Desfoque? Quase impossível com sensores que quando são grandes, tem menos de 1 centímetro.
Escrevo esse texto apenas para deixar claro que ninguém fotografa apenas com o equipamento. Fotografamos com toda nossa bagagem. Tanto técnica, quanto de vida. E quanto mais nos dedicarmos, quanto mais praticarmos e quanto mais vivermos, menos dependeremos de equipamentos e, parafraseando o mestre, mais colocaremos na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. O resultado disso tudo são fotografias em sua essência!

Abaixo, algumas fotografias de minha autoria. Todas elas feitas com aparelhos celulares. Deixo uma pergunta para você responder logo quando acabar de vê-las. Uma boa fotografia pode ser feita com qualquer equipamento?
Fotografia feita com um Windows Phone Lumia 930 - Itacaré - BA / por Sávio Muniz 

Fotografia feita com um Windows Phone Lumia 930 - Montes Claros - MG / por Sávio Muniz 

Fotografia feita com um Windows Phone Lumia 930 - Itacaré - BA / por Sávio Muniz 



sábado, 14 de novembro de 2015

Greg Girard - Um ideal de persistência na fotografia urbana

Sempre comento em minhas aulas de Fotojornalismo e Street Photography que um fotógrafo em campo deve atuar como um caçador. Deve rastrear, camuflar-se, ficar à espreita, mantendo sua(s) caça(s) sob constante vigilância e, o mais importante, ter paciência! Grandes fotógrafos, com técnicas apuradíssimas, não seriam capazes de realizar um trabalho documental pelo simples fato de não possuírem essa característica. Paciência e persistência são os elementos chaves para esse tipo de fotografia. Inclusive,"snapshot" foi massivamente usado para o disparo de fotos instantâneas, nas antigas Polaroids. Na língua inglesa o termo surgiu inicialmente para definir o ato de um caçador, afirmando ainda mais a relação que a fotografia tem com a prática da caça. 

E se tem algo que molda definitivamente o trabalho de um fotógrafo documental é a perseverança, pois, quanto maior e mais estreito contato com o motivo fotografado, melhor vai ser o conhecimento e olhar do fotógrafo acerca do assunto em questão.

Greg Girard é um grande fotógrafo documental que respeitou simetricamente a essência do seu trabalho. Canadense, fotografou exaustivamente sua cidade natal, Vancouver. Porém, passou boa parte de sua carreira na Ásia, sendo ela sua grande musa inspiradora. Seu trabalho analisa as transformações sociais e físicas que ocorrem em toda a região, em especial os locais menos abastados.

























Ponte Granville, Vancouver, 1975




Shanghai, 2002

Suas fotografias nos causam um misto de saudosismo e melancolia. A síntese do seu trabalho está fundamentada nos anos de 1972 a 1994, que foi quando realizou seus principais projetos fotográficos; e também pelo fato de ainda trabalhar com câmeras analógicas, fato que conferia um visual mais orgânico e despretensioso às suas fotografias, características ímpares da imagética documental. 

























Prédios na Avenida Railway, Vancouver, 1975

Girard é um exímio detalhista em suas composições. Seus enquadramentos precisos refletem a alma dos locais e situações retratados, nos transportando com facilidade à cena, estimulando uma imersão raramente vista nos trabalhos de outros fotógrafos.
























Vancouver, 1981. Geometria e composição acertada são características marcantes em suas fotografias.

Um de seus principais projetos fotográficos foi a Cidade Murada de Kowloon, em Hong Kong. Kowloon era uma região altamente povoada e degradada, que foi demolida em 1993, sendo considerada a maior favela vertical do mundo.
























Vista de uma das fachadas de Kowloon Walled City a noite, 1987

Originalmente uma fortaleza militar chinesa, Kowloon era uma aglomeração orgânica, que cresceu sem planejamento, sem projeto, tendo praticamente todas as características de uma favela comum, porém verticalizada. Em meados da década de 1950 Kowloon se tornou um centro de prostituição, tráfico de drogas, cassinos; tudo controlado por máfias chinesas conhecidas da época. Os acessos eram monitorados e os apartamentos do interior do imenso bloco de concreto não haviam janelas, sendo que as moradias externas, da fachada, eram as mais valorizadas do local. Sua densidade era tanta que não haviam ruas ou avenidas para automóveis, apenas estreitos corredores de circulação.

Tudo o que acontecia em Kowloon gerava rebuliço em toda Hong Kong. Um assassinato na cidade era algo comum, mas um assassinato em Kowloon era "O" assassinato. Como na época Hong Kong pertencia à Inglaterra, sendo uma espécie de colônia britânica, a China responsabilizava os ingleses pelas mazelas de Kowloon. E, do contrário, a Inglaterra dizia que Kowloon era responsabilidade dos chineses, pois, apesar de sua autonomia em Hong Kong, os britânicos autorizavam as autoridades chinesas a utilizar os recursos econômicos de Hong Kong como quisessem.
























Um apartamento típico de Kowloon, 1989

Em consequência da ausência de vigilância sanitária, decorrente da inexistência gestão da região, Kowloon se tornou uma Meca dos açougues clandestinos. Grandes fábricas de carne processada de Hong Kong migraram para Kowloon afim de fugir da fiscalização

Apesar de ter se tornado relativamente pacífica no início da década de 1980, a baixa qualidade de vida já estava se tornando algo intolerável para os padrões da época na crescente China do final do século XX. A partir de então, em 1987  iniciou-se um acordo entre a Inglaterra e o governo de Hong Kong para demolir definitivamente Kowloon e transformar a área em um imenso parque-memorial. A demolição começou no início de 1992 e durou quase dois anos, sendo concluída no final de 1993.


























Ruas úmidas de Kowloon, 1989























O agitado comércio de Kowloon, 1987






















Um açougue clandestino, 1990

A fascinação de Greg Girard pelo arranjo urbano das metrópoles asiáticas fez com que ele passasse 5 anos de sua vida morando em Hong Kong, estudando, documentando e fotografando a imensa Kowloon e a rotina de seus habitantes. Foi o maior trabalho fotográfico já feito sobre a região; e graças às suas habilidades fotojornalísticas, podemos hoje conhecer o âmago desse instigante monumento.

























Situando-se ao lado do Aeroporto de Hong Kong, os habitantes de Kowloon entretiam-se com a intensa circulação de aeronaves. 1990

Atualmente Greg Girard se dedica às edições e publicações de livros e exposições sobre seus projetos. Ele é representado pela galeria Monte Clark do Canadá e também trabalha para publicações como a revista National Geographic. Acesse seu site para conhecer um pouco mais sobre o trabalho deste grande fotógrafo documental.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pequena mas poderosa: Fujifilm 60mm f/2.4 - uma macro de respeito!

Eu sempre digo nas aulas que ministro sobre o mundo das objetivas que as técnicas de fotografia macro são segregacionistas, por precisarem de equipamentos caros, pesados; além de requerer muita paciência em campo. 

Mas não é apenas para fotografar insetos e outros microorganismos que serve uma lente macro. Podemos utilizá-la também em fotografias mundanas, detalhes de animais e bebês, olhos, objetos, e outras pequenezas. A única diferença de uma lente macro para uma não-macro é o fato dela ter distância de foco menor, fazendo com que possamos aproximar melhor dos motivos fotografados.

Já testei todo tipo de macro: Canon FD 55mm f/2.8, Nikon 40mm f/2.8, Tamron 90mm f/2.8, Sigma 105mm f/2.8... todas muito boas, mas nada de excepcional. São lentes macro padrão, com abertura padrão e sempre com um inconveniente. Ou é grande demais, ou lenta demais, ou soft demais (quando não há muita nitidez), ou frágil demais, ou só faz f/2.8 no foco infinito, fechando a abertura em focos mais próximos. 

Então chegou em minhas mãos a pequena Fujifilm 60mm f/2.4 Macro.

Quem me acompanha sabe que ando defendendo ferrenhamente a Fuji. Mas não é pra menos, ela tem feito investimentos pesados em tecnologia para fotografia, ultrapassando as gigantes Nikon, Sony e Canon, e até mesmo a Leica. Como disse no post anterior, a Forbes considerou a Fuji como a Apple dos fabricantes de equipamentos fotográficos. E, como professor de fotografia e fotógrafo com 12 anos de experiência, posso dizer com segurança e autonomia: a Fuji está fazendo um estrago (no bom sentido) no mundo da fotografia. Seu carro chefe antigamente eram as películas de filmes fotográficos. E hoje, como pouquíssimos fotógrafos ainda usam filme, ela precisou se reinventar e criar uma forma diferente de se fotografar para atrair adeptos e se manter no mercado. Quer saber mais? Leia isto.

Voltando à 60mm.

Pra começar, o corpo da lente é quase todo feito de metal, ao contrário das objetivas de outras marcas, cujo acabamento costuma ser 100% produzido em plástico. Com isso, nota-se uma robustez diferenciada ao tocá-la, que nos passa a impressão de ser uma objetiva que, se bem cuidada, vai durar por toda uma eternidade, assim como as lentes antigas. Outro ponto positivo é o tamanho: o mesmo diâmetro de uma 50mm f/1.8, um pouco mais comprida.

O foco dela é muito preciso. Aliás, o foco mais preciso que já pude testar em uma macro. Antes de atualizar o firmware ele não era dos mais rápidos, e isso era o único defeito dela. Ele não era lento, estava na média das outras macros, mas era mais lento que as objetivas normais. Depois que atualizei o firmware (uma espécie de programa instalado dentro da lente, que pode ser baixado no próprio site da Fuji) o foco dela mudou completamente. 


Macro com close digital na 56mm

A maior singularidade dessa lente está mesmo em sua abertura: é f/2.4, em qualquer ponto de foco, ao contrário da última macro que tive contato, a Sigma 105mm, cuja abertura máxima nos focos próximos é f/3.8. São quase dois f/stops a mais, uma diferença e tanto quando estamos fotografando em baixa luminosidade. Daria pra economizar ISO de 6400 para 1600.

Tá certo que nesse caso a profundidade de campo se reduziria bastante também, mas em baixa luminosidade às vezes é melhor priorizar a luz e ter foco em uma área menor; que perder luz com uma profundidade de campo maior. Até porquê, a diferença da área em foco de uma abertura f/2.4 pra uma f/3.8 nem é significativa. Já a luz...

Vale dizer que a nitidez dessa lente é fenomenal. Algo fora do padrão das lentes macro comuns. Nas fotografias que fiz eu pude aproximar digitalmente ao máximo sem esticar pixel que e eu ainda tinha qualidade.


Macro com close digital num fio RCA

Para quem gosta de newborn ela é a lente perfeita! É comum fotógrafos de newborn utilizarem uma 50mm para fotografar o corpinho do bebê e uma macro pra detalhes. Só que a 60mm da Fuji é macro e tem corpo de 50mm, podendo ser usada pra ambos casos, dispensando trocas excessivas de lentes

Nas horas vagas a 60mm deixa de fazer macro e vira uma lente padrão. É uma lente feita para sensores APS-C, e por isso, faria o papel de uma 90mm em uma câmera de filme ou full frame. Por ser pequena e clara, é ótima para fazer retratos, street, paisagem e até alguns tipos de eventos. Uma 90mm f/2.4 para Nikon ou Canon seria enorme, pesada e de difícil deslocamento. Já a pequena Fujinon (nome da divisão da Fuji especializada em ótica) manda bem em qualquer situação, é clara, leve, robusta, esbelta; e relativamente barata (se comparada às outras), podendo ser encontrada por cerca de 650 dólares na B&H.

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